Biogênese x Abiogênese
Os experimentos de Redi
Em 1668, Francesco Redi
(1626 -1697) investigou a suposta origem de vermes em corpos em
decomposição. Ele observou que moscas são atraídas pelos corpos em
decomposição e neles colocam seus ovos. Desse ovos surgem as larvas, que
se transformam em moscas adultas. Como as larvas são vermiformes, os
“vermes” que ocorrem nos cadáveres em decomposição nada mais seriam que
larvas de moscas. Redi concluiu, então, que essas larvas não surgem
espontaneamente a partir da decomposição de cadáveres, mas são
resultantes da eclosão dos ovos postos por moscas atraídas pelo corpo em
decomposição.
Para testar a sua hipótese, Redi realizou o
seguinte experimento: colocou pedaços de carne crua dentro de frascos,
deixando alguns cobertos com gase e outros completamente abertos. De
acordo com a hipótese da abiogênese, deveriam surgir vermes ou mesmo
mosca nascidos da decomposição da própria carne. Isso, entretanto, não
aconteceu. Nos frascos mantidos abertos verificaram-se ovos, larvas e
moscas sobre a carne, mas nos frascos cobertos gaze nenhuma dessas
formas foi encontrada sobre a carne. Esse experimento confirmou a
hipótese de Redi e comprovou que não havia geração espontânea de vermes a
partir de corpos em decomposição.
Os experimentos de
Redi conseguiram reforçar a hipótese da biogênese até a descoberta dos
seres microscópicos, quando uma parte dos cientistas passou novamente a
considerar a hipótese da abiogênese para explicar a origem desses seres.
Segundo esses cientistas, os microorganismos
surgem espontaneamente em todos os lugares, independentemente da
presença de outro ser vivo. Já outro grupo de pesquisadores não aceitava
essas explicações. Para eles os microorganismos somente surgiam a
apartir de “sementes” presentes no ar, na água ou no solo. Essas
“sementes”, ao encontrarem locais adequados, proliferavam (interpretação
coerente com a hipótese da biogênese).
Os experimentos de Pasteur
Somente por volta de 1860, com os experimentos realizados por Louis Pasteur (1822 – 1895), conseguiu-se comprovar definitivamente que os microorganismos surgem a partir de outros preexistentes.
Os experimentos de Pasteur estão descritos e esquematizados na figura abaixo:
A ausência de microrganismos nos frascos do tipo
“pescoço de cisne” mantidos intactos e a presença deles nos frascos cujo
“pescoço” havia sido quebrado mostram que o ar contém microorganismos e
que estes, ao entrarem em contato com o líquido nutritivo e estéril do
balão, desenvolvem-se. No balão intacto, esses microorganismos não
conseguem chegar até o líquido nutritivo e estéril, pois ficam retidos
no “filtro” formado pelas gotículas de água surgidas no pescoço do balão
durante o resfriamento. Já nos frascos em que o pescoço é quebrado,
esse “filtro” deixa de existir, e os micróbios presentes no ar podem
entrar em contato com o líquido nutritivo, onde encontram condições
adequadas para seu desenvolvimento e proliferam.
A hipótese da biogênese passou, a partir de então, a ser aceita universalmente pelos cientistas.
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