quarta-feira, 13 de maio de 2015

Reprodução e Desenvolvimento

Embriologia

   O termo embriologia que refere-se ao estudo de embriões, compreende apenas o período de desenvolvimento pré-natal de embriões e fetos. Durante este estágio o organismo sofre diversas mudanças, compondo o cenário de evolução embrionária até o instante do parto. Período este denominado pelos estudiosos como “anatomia de desenvolvimento”. O desenvolvimento pré-natal é mais acelerado do que o pós-natal, cumprindo-se em 9 meses aproximadamente, resultando em mudanças amplamente cruciais para a vida pós-natal do feto.
   Porém durante este desenvolvimento podem ocorrer anormalidades, que resultarão em um neonato com problemas congênitos. O segmento da embriologia que estuda este evento é a Teratologia, do grego “teratos” que significa “monstro”, uma analogia ao feto com defeitos de nascimento. Este segmento da embriologia sofre intervenção direta ou não de vários fatores, genéticos ou ambientais, que atrapalham a evolução normal do embrião.
A embriologia tem quatro objetivos básicos, são eles:
- Integrar o desenvolvimento pré-natal  com as ciências e com as diversas vertentes da própria medicina, no intuito de entender os eventos da embriologia e otimizar o uso deste conhecimento, diminuindo os riscos na gestação.
- Desenvolver e aplicar o conhecimento sobre os eventos que iniciam a vida humana e às mudanças que eles trazem para o feto, durante o período gestacional.
- Auxiliar o entendimento das causas das alterações que ocorrem na estrutura humana;
- Esclarecer a anatomia fetal e explicar como há o desenvolvimento das estruturas normais e anormais.
   Muitas práticas modernas utilizadas atualmente na obstetrícia necessitam da aplicação da embriologia. Assim, o conhecimento que os médicos tem sobre o desenvolvimento normal (padrão) do feto e das causas prováveis das anomalias faz-se importante para auxiliar o embrião durante todo o seu desenvolvimento, garantindo, então, boas chances do bebê nascer sadio. Os eventos embriológicos de interesse especial para os obstetras são: a ovulação, o transporte do ovócito e do espermatozóide, fertilização, a implantação, as relações materno-fetais, a circulação fetal, os períodos críticos do desenvolvimento e as causas das anomalias congênitas. Estes especialistas vão além do cuidado com a mãe, cuidam principalmente da saúde do embrião.
   Infelizmente as anomalias que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião causam a maioria das mortes durante o primeiro ano de vida, por isso o estudo é importante já que pode prevenir uma boa parte delas. Vale ressaltar a importância do progresso da cirurgia, especialmente nos grupos de idade infantil, perinatal e fetal, que tornou viável um tratamento cirúrgico antes impossível.
   A compreensão e a correção da maioria das anomalias congênitas dependem, sobretudo, do conhecimento sobre o processo total de desenvolvimento normal e dos desvios que podem ocorrer durante este estágio. A correção pós-natal nem sempre é possível e isso muda a vida não só do paciente contemplado, mas de todos os familiares à sua volta.
   Portanto, quanto mais cedo for feito o diagnóstico há mais chances de reverter o quadro clínico embrionário.

Fecundação

   Dos aproximadamente 300 milhões de espermatozóides eliminados na ejaculação, apenas cerca de 200 atingem a tuba uterina, e só um fecunda o ovócito II.
   Quando liberado do ovário, o ovócito encontra-se envolto na zona pelúcida, formada por uma rede de filamentos glicoprotéicos. Externamente a zona pelúcida há a corona radiata, formadas por células foliculares (células derivadas do ovário).
   Na fecundação, o espermatozóide passa pela corona radiata e ao atingir a zona pelúcida sofre alterações formando a membrana de fecundação, que impede a penetração de outros espermatozóides no ovócito.
   Ao mesmo tempo, há finalização da meiose dando origem ao óvulo e formando-se o segundo corpúsculo polar.
   Na fecundação, o espermatozóide fornece para o zigoto o núcleo e o centríolo. As mitocôndrias dos espermatozóides desintegram-se no citoplasma do óvulo. Assim, todas as mitocôndrias do corpo do novo indivíduo são de origem materna.
   Hoje se sabe que há muitas doenças causadas por mutações no DNA mitocondrial e que elas são transmitidas diretamente das mães para seus descendentes. Além disso, a análise do DNA mitocondrial tem sido usada em testes de maternidade para verificar quem é a mãe de uma criança.
   O núcleo haplóide do óvulo e o núcleo do espermatozóide recebem, respectivamente, os nomes pró-núcleo feminino e pró-núcleo masculino. Com a união desses núcleos (anfimixia), temos a formação da célula-ovo ou zigoto e o início do desenvolvimento embrionário.

Tipos de óvulos

   Os ovos são classificados de acordo com a quantidade e distribuição do vitelo (reserva nutritiva), que garantem o desenvolvimento embrionário.
A partir desse componente de reserva, os óvulos podem ser:
• Óvulos oligolécitos, isolécitos ou alécitos
   Apresentam uma quantidade pequena de vitelo, que está distribuída de maneira uniforme pelo citoplasma. Ocorre nos espongiários, celenterados, equinodermas, protocordados e mamíferos.

 • Óvulos heterolécitos, mediolécitos ou telolécitos incompletos.
   Apresenta uma quantidade média de vitelo que está concentrada abundantemente no pólo vegetativo. Ocorre nos platielmintes, moluscos, anelídeos e anfíbios.

 • Óvulos telolécitos completos ou megalécitos
   Apresenta uma quantidade abundante de vitelo que ocupa praticamente todo o ovo, deixando o núcleo e o citoplasma numa pequena área do pólo animal, chamada cicatrícula ou disco germinativo.
Aparecem em cefalópodes, peixes, répteis e aves.
 • Óvulos centrolécitos
   O ovo possui uma abundante reserva de vitelo na região central do ovo, em volta do núcleo. Ocorre nos artrópodes.

Segmentação

   As divisões que ocorrem durante a segmentação denominam-se clivagens, e as células que se formam são chamadas blastômeros.
   No Reino Animal, a diferença na quantidade e na distribuição do vitelo no ovo determina diferenças na segmentação, menor a velocidade de divisão. Em função disso, podemos considerar dois tipos básicos de segmentação:
• holoblástica ou total que ocorre no zigoto todo;
• meroblástica ou parcial, que ocorre só em parte do ovo.

Gastrulação

   Para falarmos da gastrulação, vamos tomar como exemplo o que ocorre em animais cordados, representados pelo anfioxo e pelas rãs.
   Os cordados são animais que possuem notocorda, um bastonete flexível que fica no dorso do embrião. A notocorda persiste no adulto de alguns animais cordados, como é o caso do anfioxo. Nos animais vertebrados, excluindo alguns peixes, a notocorda regride totalmente ou quase totalmente e a coluna vertebral se desenvolve a partir da mesoderma.

Organogênese

   A terceira fase do desenvolvimento embrionário é a organogênese, que se caracteriza pela diferenciação de órgãos a partir dos folhetos embrionários formados na gastrulação. O esquema seguinte representa a fase inicial da organogênese: a neurulação. Após a neurulação, os folhetos embrionários, continuam a se diferenciar, originando os tecidos especializados do adulto.
   Do ectoderma diferencia-se o tubo neural, que apresenta no seu interior o canal neural. O endoderma dá origem ao tubo digestório. O mesoderma dá origem aos somitos e à notocorda. Os somitos são blocos celulares dispostos lateralmente no dorso do embrião, e a notocorda é uma estrutura maciça localizada logo abaixo do tubo neural.

Anexos embrionários

   Anexos embrionários são estruturas que derivam dos folhetos germinativos do embrião mas que não fazem parte do corpo desse embrião.
   Os anexos embrionários são: vesícula vitelina (saco vitelínico), âmnio (ou bolsa amniótica), cório e alantóide.
 
• Vesícula vitelina
   Durante a evolução do grupo dos animais, os primeiros vertebrados que surgiram foram os peixes, grupo que possui como único anexo embrionário a vesícula vitelina.
   Diferenciando-se a mesoderme e o tubo neural, parte dos folhetos germinativos desenvolvem-se formando uma membrana que envolve toda a gema, constituindo (membrana + gema) o saco vitelínico um anexo embrionário, que permanece ligado ao intestino do embrião. À medida que este se desenvolve, há o consumo do vitelo e, consequentemente, o saco vitelínico vai se reduzindo até desaparecer. É bem desenvolvida não somente em peixes, mas também em répteis e aves. Os mamíferos possuem vesícula vitelina reduzida, pois nesses animais como regra geral, os ovos são pobres em vitelo. A vesícula vitelina não tem, portanto, significado no processo de nutrição da maioria dos mamíferos.
   Nos anfíbios, embora os ovos sejam ricos em vitelo, falta a vesícula vitelina típica. Nesses animais o vitelo encontra-se dentro de células grandes (macrômeros) não envoltas por membrana vitelina própria.

• Âmnio e cório
   O âmnio é uma membrana que envolve completamente o embrião, delimitando uma cavidade denominada cavidade amniótica. Essa cavidade contém o líquido amniótico, cujas funções são proteger o embrião contra choques mecânicos e dessecação. Ao final do desenvolvimento de répteis e aves, todo o líquido da cavidade amniótica foi absorvido pelo animal.
   O cório ou serosa é uma membrana que envolve o embrião e todos os demais anexos embrionários. É o anexo embrionário mais externo ao corpo do embrião. Nos ovos de répteis e nos de aves, por exemplo, essa membrana fica sob a casca. Nesses animais, o cório, juntamente com o alantóide, participa dos processos de trocas gasosas entre o embrião e o meio externo.

• Alantóide
   A alantóide é um anexo que deriva da porção posterior do intestino do embrião. A função da alantóide nos répteis e nas aves é: transferir para o embrião as proteínas presentes na clara, transferir parte dos sais de cálcio, presentes na casca, para o embrião, que utilizará esses sais na formação de seu esqueleto, participar das trocas gasosas, o O2 passa da câmera de ar para o alantóide e deste para o embrião, enquanto o CO2 produzido percorre o caminho inverso, e armazenar excreta nitrogenada. A excreta nitrogenada eliminada por embriões desses animais é o ácido úrico, insolúvel em água e atóxico, podendo ser armazenado no interior do ovo sem contaminar o embrião.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Leis de Mendel

1ª Lei de Mendel: Lei da Segregação dos Fatores

   A comprovação da hipótese de dominância e recessividade nos vários experimentos efetuados por Mendel levou, mais tarde à formulação da sua 1º lei: “Cada característica é determinada por dois fatores que se separam na formação dos gametas, onde ocorrem em dose simples”, isto é, para cada gameta masculino ou feminino encaminha-se apenas um fator.

2ª Lei de Mendel

   Mendel concluiu que a segregação independente dos fatores para duas ou mais características era um princípio geral, constituindo uma segunda lei da herança. Assim, ele denominou esse princípio segunda lei da herança ou lei da segregação independente, posteriormente chamada segunda lei de Mendel: Os fatores para duas ou mais características segregam-se no híbrido, distribuindo-se independentemente para os gametas, onde se combinam ao acaso.


Os experimentos de Mendel

A escolha da planta

   A ervilha é uma planta herbácea leguminosa que pertence ao mesmo grupo do feijão e da soja. Na reprodução, surgem vagens contendo sementes, as ervilhas. Sua escolha como material de experiência não foi casual: uma planta fácil de cultivar, de ciclo reprodutivo curto e que produz muitas sementes. Desde os tempos de Mendel existiam muitas variedades disponíveis, dotadas de características de fácil comparação. Por exemplo, a variedade que flores púrpuras podia ser comparada com a que produzia flores brancas; a que produzia sementes lisas poderia ser comparada cm a que produzia sementes rugosas, e assim por diante. Outra vantagem dessas plantas é que estame e pistilo, os componentes envolvidos na reprodução sexuada do vegetal, ficam encerrados no interior da mesma flor, protegidas pelas pétalas. Isso favorece a autopolinização e, por extensão, a autofecundação, formando descendentes com as mesmas características das plantas genitoras.
 
   A partir da autopolinização, Mendel produziu e separou diversas linhagens puras de ervilhas para as características que ele pretendia estudar. Por exemplo, para cor de flor, plantas de flores de cor de púrpura sempre produziam como descendentes plantas de flores púrpuras, o mesmo ocorrendo com o cruzamento de plantas cujas flores eram brancas. Mendel estudou sete características nas plantas de ervilhas: cor da flor, posição da flor no caule, cor da semente, aspecto externo da semente, forma da vagem, cor da vagem e altura da planta.
 

Mendel - História da genética

Genética

   Desde os tempos mais remotos o homem tomou consciência da importância do macho e da fêmea na geração de seres da mesma espécie, e que características como altura, cor da pele etc. eram transmitidas dos pais para os descendentes. Assim, com certeza, uma cadela quando cruzar com um cão, irá originar um filhote com características de um cão e nunca de um gato. Mas por quê?

Mendel, o iniciador da genética

   Em 8 de março de 1865, Mendel apresentou um trabalho à Sociedade de História Natural de Brünn, no qual enunciava as suas leis de hereditariedade, deduzidas das experiências com as ervilhas. Publicado em 1866, com data de 1865, esse trabalho permaneu praticamente desconhecido do mundo científico até o início do século XX. Pelo que se sabe, poucos leram a publicação, e os que leram não conseguiram compreender sua enorme importância para a Biologia. As leis de Mendel foram redescobertas apenas em 1900, por três pesquisadores que trabalhavam independentemente. 
      Mendel morreu em Brünn, em 1884. Os últimos anos de sua vida foram amargos e cheios de desapontamento. Os trabalhos administrativos do mosteiro o impediam de se dedicar exclusivamente à ciência, e o monge se sentia frustrado por não ter obtido qualquer reconhecimento público pela sua importante descoberta. Hoje Mendel é tido como uma das figuras mais importantes no mundo científico, sendo considerado o “pai” da Genética. No mosteiro onde viveu existe um monumento em sua homenagem, e os jardins onde foram realizados os célebres experimentos com ervilhas até hoje são conservados.

   Gregor Mendel nasceu em 1822, em Heinzendorf, na Áustria. Era filho de pequenos fazendeiros e, apesar de bom aluno, teve de superar dificuldades financeiras para conseguir estudar. Ele foi batizado com o nome de Johann Mendel, mudando o nome para Gregor após ingressar para a ordem religiosa dos agostinianos. Foi ordenado sacerdote no ano de 1847 . Em 1843, ingressou como noviço no mosteiro de agostiniano da cidade de Brünn, hoje Brno, na atual República Tcheca.
      Após ter sido ordenado monge, em 1847, Mendel ingressou na Universidade de Viena, onde estudou matemática e ciências por dois anos. Ele queria ser professor de ciências naturais, mas foi mal sucedido nos exames.
   De volta a Brünn, onde passou o resto da vida. Mendel continuou interessado em ciências. Fez estudos meteorológicos, estudou a vida das abelhas e cultivou plantas, tendo produzido novas variedades de maças e peras. Entre 1856 e 1865, realizou uma série de experimentos com ervilhas, com o objetivo de entender como as características hereditárias eram transmitidas de pais para filhos.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sistema Reprodutor Masculino

  O sistema genital masculino compõe-se das seguintes estruturas: testículos, epidídimos, canais deferentes, visículas seminais, próstata, canal ejaculatório, glândulas bulbouretrais e pênis.
    Testículos: são as glândulas sexuais masculinas.Encontram-se envolvidos pelo escroto ou bolsa escrotal, situada na parte superior do intervalo entre as coxas. No interior de cada testículo existem dezenas de pequenos compartimentos chamados lóbulos testiculares; onde os espermatozóides são produzidos. Preenchendo o espaço entre os túbulos seminíferos encontram-se as células de Leydig ou células intersticiais, produtora de hormônio masculino.


 
   Epidídimo: formados nos túbulos seminíferos testiculares, os espermatozóides passam para o epidídimo, que é um tubo enovelado situado na porção superior do testículo e onde os gametas masculinos permanecem temporariamente armazenados.
   Canal deferente: um tubo longo no qual são descarregados os líquidos seminal e prostático. O líquido seminal - que tem a função nutritiva para os espermatozóides - é produzido pelas vesículas seminais, duas bolsas membranosas situadas atrás da bexiga urinária. O líquido prostático - leitoso e alcalino que contribui para neutralizar a acidez das s
ecreções vaginais e promove um aumento da motilidade e da fertilidade dos espermatozóides - é produzido pela próstata. A próstata é um órgão cônico, do tamanho de uma avelã, situado abaixo da bexiga. O esperma ou sêmen é constituído por espermatozóides e pelo conjunto desses dois líquidos.  

   Canal ejaculatório: Do canal deferente os espermatozóides passam para o canal ejaculatório e daí para o interior da uretra.
   Pênis: Órgão masculino de cópula, o pênis é uma estrutura relativamente flácida, quando não se encontra estimulado. Uma vez estimulado, suas artérias se dilatam e uma grande quantidade de sangue fica retida em certos espaços de natureza esponjosa: isso torna o pênis rijo e ereto, fato que permite a sua penetração na vagina, durante ato sexual. O pênis abriga em seu interior a uretra, canal por onde o sêmen é projetado para fora do corpo masculino durante a ejaculação. No homem a uretra exibe dupla função, uma vez que por ela ocorre eliminação de urina e também de sêmen
.


A produção de espermatozóides (espermatogênese)
   Os túbulos seminíferos testiculares são revestidos por um epitélio que contém as células espermatogônias,responsáveis pela produção de espermatozóides.
   As espermatogônias são células diploídes (2n) que proliferam intensamente por mitose, originando células também diploíde. Algumas dessas células ficam ligeiramente maiores e são chamadas espermatócitos primários ou de primeira ordem (também 2n).
   Cada espermatócito de primeira ordem sofre meiose e originam, após a meiose I, dois espesmatócitos secundários ou de segunda ordem, haplóide (1n). Os espermatócitos completam a meiose, originando espermátides haplóides. Assim, cada espermatócito primário origina quatro espermátides.
   As espermátides formadas passam por um processo de diferenciação chamado espermiogênese, transformando-se em espermatozóides.

A regulação hormonal
   Os testículos são glândulas endócrinas. Assim, essas estruturas produzem hormônios, que, no caso, acham-se intimamente associados ao mecanismo reprodutor. Mas a atividade dos testículos é regulada por hormônios liberados pela adenoipófise.
   No homem, o hormônio folículo-estimulante (FSH) da adenoipófise promove a maturação dos espermatozóides nos túbulos seminíferos. E o hormônio estimulante de células intersticiais (ICSH), também produzido pela adenoipófise, atua sobre as células intersticiais estimulando-as a produzir o hormônio masculino testosterona.
   A testosterona estimula o impulso sexual e é responsável pelo desenvolvimento das características secundárias masculinas, como tonalidade da voz, aparecimento de pêlos, etc.


Sistema Reprodutor Femino

   Compõe-se basicamente das seguintes estruturas: ovários, tubas uterinas, útero e vagina.
   Ovários: são duas glândulas sexuais femininas. Localizam-se na parte inferior da cavidade abdominal, um de cada lado do útero. No interior dos ovários existem milhares de folículos. Cada um deles é formado por um ovócito-célula fértil -, envolvido por inúmeras células estérieis denominadas células foliculares. Na mulher, a cada 28 dias mais ou menos, um dos folículos ovarianos passa por um processo de maturação, e o ovócito se converte em óvulo - o gameta feminino. O óvulo é então expelido do ovário e capturado pelas fímbrias, espécie de franjas, da tuba uterina.
   Tubas uterinas: são tubos musculares e flexíveis que comunicam os ovários com o útero.
   Útero: é o órgão muscular de parede espessa, com cerca de 7,5cm de comprimento e 5cm de largura, em estado normal não-gravídico. A porção muscular da parede uterina é denominada miométrio; internamente, a parede é revestida por uma membrana mucosa chamada endométrio, onde o embrião se instala.
   Vagina: É um canal com 10 a 15cm de comprimento, situado entre a bexiga urinária e o reto. Representa o órgão de cópula feminino.
   Denomina-se vulva à genitália externa feminina. A vulva compreende basicamente as seguintes estruturas:

  • Grandes lábios: pregas de tecido adiposo recoberto com pele;
  • Pequenos lábios:pregar da pele localizadas medialmente aos grandes lábios;
  • Clitóris: órgão erotizante com capacidade erétil;
  • Hímen: membrana delgada que pode estar ausente; quando presente, reveste total ou parcialmente óstio(cavidade) vaginal; logo, anatomicamente, o hímen não pode ser considerado critério para a virgindade.






A produção de óvulos (ovogênese)

   A ovogênese ocorre no interior dos ovários e inicia-se na vida intra-uterina, quando ovogônias diplóides existentes no ovário iniciam o mecanismo meiótico. Mas a meiose é interrompida e as células em reprodução entram em uma espécie de "dormência", que se estende até a puberdade.
   Quando se atinge a maturação sexual, na puberdade, a meiose prossegue sob estímulo hormonal. entretanto cada ovogônia (2n) existente no ovário que sofreu meiose origina apenas um óvulo fértil, as outras células formadas, chamadas glóbulos polares (1n), degeneram. 

   Ao atingir a maturação, o folículo ovariano, agora denominado folículo de Graaf, cresce e promove o rompimento da superfície ovariana. O óvulo é então expelido do ovário, configurando o fenômeno da ovulação; em seguida é capturado pelas fímbrias da tuba uterina.
   Na ovulação, o óvulo eliminado do ovário ainda é imaturo. Se ele não for fecundado em cerca de 24 horas, degenerará; a meiose só se completa se esse óvulo imaturo for fecundado. Assim, na espécie humana, o termo óvulo, comumente utilizado, é de fato um ovócito secundário, um "óvulo imaturo".


Fecundação

   Compreende o processo de penetração do espermatozóide no óvulo e a conseqüente fusão dos núcleos masculino e feminino (haplóides), formando a célula-ovo ou zigoto (diploíde).
   Na ejaculação, em condições normais, um homem libera cerca de 300 milhões de espermatozóides no canal vaginal. Os gametas masculinos atingem o útero e alcançam a tuba uterina, onde, encontrando o óvulo, este é fecundado.
   Após a fecundação, o zigoto um pequeno embrião que percorre a tuba uterina e se instala no endométrio, caracterizando a nidação.

A regulação hormonal

   Assim como os testículos, os ovários são glândulas endócrinas e sua atividade é regulada por hormônios liberados pela adenoipófise.
   No início de cada ciclo menstrual, a adenoipófise lança no sangue feminino o FSH (homônio folículo estimulante). Este determina no ovário a maturação de um folículo ovariano.
   Sob o estímulo do FSH, geralmente um ovócito reinicia o mecanismo meiótico; as células foliculares passam então a produzir quatidades significativas de estrógenos. Uma vez no sangue, os estrógenos atuam na hipófise, inibindo a produção do FSH e estimulando a produção do hormônio luteinizante (LH). Os estrógenos atuam no desenvolvimento da mucosa uterina (endométrio), estimulando o crescimento do útero a das mamas.
   O LH, atua no ovário, onde estimula a ovulação. Após a ovulação, muitas células foliculares permanecem no interior do ovário e, sob o estímulo do LH, passam a produzir um lipídio amarelado (luteína), transformando-se no corpo lúteo ou amarelo.
   Ainda sob o estímulo do LH, o corpo lúteo passa a produzir a progesterona, hormônio que atua no útero, completando o desenvolvimento do endométrio e inibindo-lhe as contrações. Além disso, a progesterona atua na hipófise, bloqueando a síntese de FSH e de LH; nas glândulas mamárias, estimula o crescimento das regiões secretoras de leite.






 


   Se o óvulo não for fecundado, depois de algum tempo diminui o nível de progesterona no sangue. Inicia-se portanto, o fluxo menstrual, fato que indica a não ocorrência de fecundação. Se o óvulo for fecundado, o embrião percorre a tuba uterina e se instala no útero, configurando o que se chama de nidação - células do embrião passam a produzir homônio gonadotrofina coriônica, que estimula a produção de progesterona pelo corpo lúteo, mantendo a gravidez.



O Ciclo menstrual

   A Primeira menstruação (menarca) ocorre normalmente na puberdade e o fenômeno repete-se até a mulher atingir a menopausa (geralmente ao redor dos 50 anos). A menopausa marca o fim da atividade menstrual

   O Ciclo Menstrual acontece de forma gradativa . Considera-se como primeiro dia do ciclo aquele em que o fluxo menstrual inicia; e último dia do ciclo aquele que antecede o inicio do próximo fluxo. O ciclo tem, normalmente, duração de 28 dias, embora possa variar de 20 a 40 dias ou até mais.
   A ovulação ocorre cerca de 14 dias antes do início da menstruação. Assim, uma mulher com ciclo de 28 dias ovulará por volta do 14º dia do ciclo. Se a periodicidade do ciclo for de 40 dias, a ovulação ocorrerá em torno do 26º dia do ciclo; ciclos de 21 dias terão ovulação por volta do 7º dia do ciclo.
   Levando em conta que o óvulo pode manter-se viável por cerca de um dia após a ovulação, que a ovulação pode atrasar ou adiantar um determinado ciclo e, ainda que os espermatozóides podem manter-se viáveis por aproximadamente dois dias no corpo feminino, é possível prever o período fértil de uma mulher com ciclo menstrual regular da seguinte maneira: calcula-se o dia provável da ovulação, contando catorze dias antes da data marcada para o início da menstruação: contam-se então três dias antes de três dias depois do dia  revisto para a ovulação. Esse período de mais ou menos uma semana é chamado é chamado de período fértil, ou seja o período em que a mulher tem mais chances de engravidar ao manter relação sexual.